Das dores de morar longe

Falar com "os de casa" sempre dói um pouquinho.

Já são quase oito anos longe.

Nesse meio tempo alguns, não tão próximos, voltaram para o plano espiritual, muitos cresceram, alguns nasceram e eu acompanhei tudo via telefone e internet.

Não digo que estaria fazendo muita coisa para ajudar caso estivesse lá, porque sempre damos valor quando já não temos mais. Mas mudar de lugar fez a minha mente e coração mudarem. Claro que eu sempre gostei de todos e da bagunça toda que é uma família, mesmo esta sendo uma família "torta" pra mim, já que a ligação sanguínea é bem de longe. Mas não estar lá perto para assisti-los me deixa com um pouco de remorso. Sempre me pego pensando como vou reagir quando souber que os mais caros partiram sem que eu os visse nesse plano uma última vez... e apesar do conhecimento e da crença que tenho, esse pensamento machuca.

Com o andar da carruagem acabei vindo pra longe e tenho que me contentar com vê-los uma vez por ano e ouvi-los pelo telefone de vez em quando. Não é fácil, mas é melhor que nada.

Quando me programo para ir planejo abraçar mais, beijar mais, aproveitar mais. Só que estando lá é tudo meio confuso, não consigo me soltar e fazer/dizer tudo o que planejei. Ao mesmo tempo que estou em casa não me sinto 100% a vontade. Só que sou meio estranha desde sempre (pelo menos pra mim), sou meio neurótica desde criança e acho que isso pesa. Mas eles são a minha família. São minhas mães extras e os pais que conheci e admiro. Foi com todos eles que aprendi valores e foi depois de estar longe que descobri que os amo infinitamente.

Depois da ligação de hoje as lágrimas quiseram cair (e às escondidas caíram), várias lembranças vieram à tona junto com o pensamento de como estaria a minha vida se eu estivesse lá...

Cada vez que os visito, mesmo sabendo que tudo foi e é uma escolha minha, na hora da despedida é sempre a mesma coisa (e acontece exatamente assim desde a primeira viagem): tenho que me segurar para não me debulhar na frente deles. Ao sentar na poltrona do ônibus as lágrimas brotam incessantemente e durmo chorando, no embalo da estrada. E com os olhos inchados, acordo mais calma, muitos quilômetros depois...

E assim o tempo vai passando. Nunca saberei como estaria lá e não acredito que sabendo isso mudaria alguma coisa. Não há mais condições de voltar. Pelo menos penso que não, não agora. Talvez algum motivo me leve de volta algum dia. Minha vida tomou outro rumo, meus anseios e condições são outros, mas deles eu nunca esqueço. E espero, sinceramente, algum dia conseguir transmitir a importância que eles têm no que sou hoje e o carinho e amor que sinto por cada um.

Comentários

  1. Oi, Nah!

    Ai, fiquei sentida com seu post. Eu sou muito medrosa com essas coisas de morar longe, ficar distante de quem eu amo. Só consigo imaginar como vc deve passar por momentos tensos como esse, pq na pele eu não sei como é. Meu namorado mora em outra cidade por conta da faculdade e nos vemos só nos sábados e olhe lá. Fico um mês sem ver ele e já me dói muito.

    Mas procura pensar na parte positiva de vc estar onde está agora.
    Aguenta firme, chore quando precisar. As coisas vão melhorar, acredite, viu? Eu acredito ♥

    Beijos

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  2. Oi Grazi!
    Pode ter certeza que eu choro sim, hehehehe. Mas também agradeço por estar onde e como estou, nada é por acaso. Mas às vezes precisamos colocar em palavras para ver se desafoga, né?
    Obrigada pelo carinho.
    Beijo grande.

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